terça-feira, 22 de maio de 2012
APELO
Caindo a noite tudo fica triste.
Ouvindo a Ave-Maria e vendo surgirem os astros,
Lembro-me quando num dia igual, tu partiste,
Deixando-me pender pro lado sem qualquer chance de lastros.
Agora sozinho no crepúsculo,
Sua imagem aparece fascinante e linda.
Sou uma estátua de pedra e não de músculo,
Que sofre com a vida já finda.
Seu colo, poderoso colo, não mai me recebe.
Seus lábios carnudos e vermelhos, não mais me umidecem,
Que secos já não servem e cedem.
O fardo da velhice virou gelo,
Pesa tanto que meus joelhos dobram.
Cadê você, Amélia, para te fazer um apelo...
Volte e venha unir as peças que ainda sobram,
Venha fazer a minha última tarde de rosas,
Deixa mais uma vez admirar sua beleza.
Te dizer versos e prosas,
E de vez adormecer diante da tua realeza
Acyr Gomes
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domingo, 20 de maio de 2012
Tão iguais.............
Tempos diferentes estes que estamos vivendo
Em todos os lugares as coisas e pessoas estão se
transformando
Como uma comunidade num
só pensamento, gestos iguais
Pensamentos iguais, em todos os noticiários as mesmas
notícias
Difícil ver algo diferente hoje em dia, como se fosse proibido
Como se você pensasse diferente não faria parte de um todo
E pode ser excluído deste todo, e não mais fazer parte da “união”
Todos participam de suas vidas para muitos por meio de
grupos sociais
Poucos estão “por fora” desta avalanche de informações e
pouca individualidade
Será isto uma nova forma de se viver, ou dos novos tempos, do nosso futuro
A privacidade que muitos gostam de dizer que querem, mas no
final se mostram para tantos.
Será assim que todos se tornaram tão iguais, feitos
castas.....
Apesar de também participar de grupos sociais, gosto de me
fazer esta pergunta
Por onde olho vejo sempre as mesmas coisas, a mesma moda, o
mesmo gosto
Só se diferenciam os grupos, mas eles também fazem parte de uma comunidade
Que tem pensamentos diferentes de outro grupo, mas que no
fundo fazem tudo iguais......
sexta-feira, 18 de maio de 2012
ARTE DE AMAR
A arte de amar pertence a todos.
A competência do amor está em nós.
Os ventos favoráveis desse amor, são rápidos que nem lobos,
E quando é sincero recebe apoio até dos avós.
É um desafio que o destino nos dá.,
Onde devemos atacar ou ficar na espera?
Esta indagação nos faz caminhar aqui e acolá
Procurando nos equilibrar sobre tamanha esfera.
A sorte vem junto neste pacote.
O pé direito deverá estar sempre à frente
Para que façamos jus e não soframos boicote
Num relacionamento sem deixar qualquer um doente.
A batuta deve estar nas mãos de ambos
Para que a futura orquestra se afine
Procurando não levar sérios tombos
Esperando que a estrada não decline.
Não deverá ter bloqueios nesse sentimento.
O incomunicável irá ficar a ver navios,
O amor, o grande amor, deverá ser o eterno alimento
Onde brotará filhos sadios.
Acyr Gomes
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
VAMOS SOMAR?
A moita vive repleta de seres
Que ficam lá observando os comentários.
São Marias, Pedritas e Dolores
Fazendo daquele canto seus vestiários.
Nos privam da sua inteligência,
Nos deixam à margem do seu rico saber
E como consequência
Continuamos, socialmente, sem nos entender.
Sentimos falta do seu dialogar,
Desejamos e precisamos nos comunicar
Vamos participar irmanados este rico filão
Dasabafando para nós seu sermão.
Se for preciso nos castigue com a vara da língua,
Mas não nos deixe viver na sala escura.
Conte prá nós, nem que seja à míngua
O seu blá blá blá com verdade e lisura.
Divida o bolo, o salgado e a bebida
Do saber tão promoroso que cada um é possuidor.
Participe desta família Cegueta tão querida
E venha nos ajudar a carregar o andor.
Se gostas da cor rubra
Faremos por onde entender a preferência,
O que desejamos é que saias da penumbra
Pois ficamos tristes com a sua teimosa ausência.
Divergência sempre existirá
Faz parte do diálogo social.
O disse me disse nunca se acabará
Pois vivemos num mundo animal.
Venha com fé e coragem
Participar dessa maravilhosa viagem
Ao escrever com sua própria linguagem
As palavras da sua rica mensagem.
Acyr Gomes
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terça-feira, 15 de maio de 2012
PEÇAS DA VIDA
Trair e coçar é só começar.
Este foi o título de uma peça de teatro
Apresentada em horário popular
E que deve ter deixado muita gente com rastro.
Além do desejo ardente e natural
A curiosidade também marca presença,
Pois todos passam pelo mesmo umbral,
Mas pequenos detalhes fazem a diferença.
Um olhar, um sorriso, um gesto mais ousado
Leva o imaginário alçar voos altos.
Nessa hora toda promessa fica no passado
E passa a integrar o time dos insensatos.
Chega a hora da cobrança pelo engano,
E ainda cambaleante tenta-se voltar ao cotidiano.
Os pensamentos, a todo instante, lembram a travessura
E aí coloca-se na cabeça o elmo da desventura.
Será necessário ter nervos de aço,
Resistir a tentação para não seguir por àquela vereda.
Pelo peso da culpa dá para sentir cansaço,
E diante da dúvida é preciso apagar a labareda.
Doravante o bicho terá sete cabeças.
A contrariedade martelará como o pingar da torneira aberta.
As cobranças pelo ato serão obesas
E os sentidos terão que ficar em alerta.
O alívio, se houver, pelo erro cometido
Será desgastante se quiser entrar no olimpo.
Doravante é aposentar de uma vez o impulso tido
Para se reintegrar e voltar a levar uma vida à limpo.
domingo, 13 de maio de 2012
Mãe
Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.
Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.
Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.
CORA CORALINA
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