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Nó Cego e Bengala de Cego

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FOGUEIRA DA VIDA



Somos iguais a uma fogueira
Que embora o fogo esteja na base
A primeira a ser consumida é a ponteira,
Que vai queimando fase por fase.
Quando chega ao meio já começa a estalar.
São como nossas juntas à incomodar
Cuja tendência é cada vez mais piorar,
Exigindo de nós um esforço hercúleo para aguentar.
Os alarmes soam como carro de bombeiros.
Pele, juntas, audição e visão,
Se unem como bandoleiros
À incomodarem num perfeito mutirão.
Tentamos nos proteger da melhor maneira,
Mas o coral do incômodo soa bem alto.
Somos uma baita e enferrujada peneira
Que ao joeirar nada segura, indo tudo cair no asfalto.
Se correr o bicho pega,
Se ficar o bicho come,
Não há como fugir dessa esfrega
E a dor incômoda não some.
Alguns olhares de interrogação nos dirigem.
Desconhecem como é difícil seguir o caminho,
Inda mais quando chega a vertigem,
Só restando mesmo é pedir um colinho.
Para nós o semáforo tá sempre no vermelho.
Ficamos esperando o verde para avançar
E novamente sair pulando que nem coelho,
Mas no final, viramos mesmo é cinzas de tanto queimar.
Acyr Gomes

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

REUNIÃO DA FAMÍLIA






"FAMILIA" - Trechos do livro "O Arroz de Palma" de Francisco Azevedo.


"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza. Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete." 

E-mail recebido de Roseli Dias

sábado, 8 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A C A B O U !!!


Não adiantou agarrar nas cabritas e colher as suas azeitonas.
Nada serviu para ouvir o bééé do cabrito.
Mostrou tudo, até àquelas zonas,
Mas de nada serviu, pelo visto!!!
Achava que tinha poder nas suas curvas,
Curvas sinuosas em montanhas de carne.
Mostrou tudo para as turbas
Completando ao tentar jogar seu charme.
Depois deu de cara com o precipício,
Tentou pular fora, mas era tarde,
E com tanto intrutífero sacrifício,
Desmoronou sem qualquer alarde.
Triste Nicoderm pintada de preto,
Pois esta é a cor do seu EU.
Agora, seu destino é o gueto
Onde todos sabemos que se ...
Acyr Gomes

domingo, 2 de setembro de 2012

TRILHANDO OS CAMINHOS



Sempre haverá esperança em nossos caminhos.
Hoje, nuvens negras e fortes chuvas ocupam o céu,
Amanhã, um lindo dia nos fará sonhar,
E a bem aventurança nos cobrirá com um lindo véu.
O caminho, as vezes árduo, abre uma variante
E este novo trilhar nos faz amar mais ainda a vida.
Antes, as pedras nos faziam andar claudicante,
Agora, a paz tão perseguida.
A felicidade é como agulha no palheiro.
Ela é difícil, mas temos que correr atrás,
Ela é a joia e nós o garimpeiro
A qual precisamos encontrar e que nos compraz.
Os raios solares atingem todos os cantos,
Mas precisamos sair das sombras para receber a luz.
Sorrir é necessário ao invés de prantos
Procurando ter a alma gêmea que nos induz e conduz.
Acyr Gomes

sábado, 1 de setembro de 2012

VIVI, A VITORIOSA !!!



Deturpando um pouquinho,
Digo que a vitória é um prato que se come frio.
Assim deve ter se sentido a Vivi, neste joguinho,
Cuja adversária, em potencial, não tinha qualquer brio.
A corrida para os dois milhões era a principal meta,
Mas a corrida para desbancar a outra era pessoal.
Seu pulo de satisfação parecia uma flamejante seta
Que atingiu de maneira visceral.
Tava igual uma garota ao ver o Papai Noel,
Enquanto que do outro lado o fogo apagou.
Tudo por causa do magnífico Grahan Bell
Que lhe deu a vitória que nem o cabrito negou.
Viva a Rainha do samba carioca,
A Vivi do Salgueiro.
Enquanto a outra sai recebendo mandioca,
A Campeã sai com  bolso cheio de dinheiro.
Acyr Gomes

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