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Nó Cego e Bengala de Cego

domingo, 15 de julho de 2012

Velhas lembranças





Sou de uma geração que foi criada levando surras dos pais. Lembro que todos da minha rua apanhavam de seus pais; lá em casa era de cinto, mas tinha os que apanhavam de borracha, de tamanco, de chinelo e por aí vai.Crescemos assim; e dos que tive contato até a fase adulta,nenhum virou bandido; muito pelo contrário, formaram-se engenheiros, médicos, professores, químicos, militares,...homens de bem e com um fator em comum, todos tinham um imenso amor pelos seus pais, tanto que nessa velhas lembranças recordo que cuidaram deles na velhice sem mágoas e ressentimentos.
O que posso falar sobre mim e meu irmão é que as marcas das cintadas logo desapareciam e nunca ficou marcada em nossos corações. Lembro da minha última surra, eu tinha 14 anos e menti para minha mãe dizendo que ia na casa da filha de nossa ex-babá e fui pra praia.Quando cheguei da praia meu irmão que estava na rua me avisou: a mamãe vai te pegar.Corri pra casa da minha avó e meu avô foi logo me dizendo:
-Guria tua mãe vai te bater.
Vô vamos comigo, pedi eu.E lá foi ele comigo, gordinho, baixinho, lindo de morrer.Minha mãe já estava a postos; com o cinto nas mãos.Meu avô entrou primeiro e eu atrás dele fazendo ele de escudo. Só ouvi minha mãe dizer:
-Sai da frente seu Daniel e ele responder: 
-Calma Maria, não batas na guria.
Minha mãe não pensou duas vezes e mandou a cinta, uma, duas, três, ...Eu só me esquivando por trás do meu avô; se ela mandava pela esquerda eu ia pra direita e vice-versa; conclusão quem apanhou foi meu avô; meu doce e querido avô Daniel.
Nessas velhas lembranças lembro das inúmeras vezes em que eu e meu irmão, sempre que em nossas conversas lembrávamos de nossa surras e os motivos das mesmas, dávamos muita risada.
Mãe não sei se um dia ainda vamos nos encontrar para eu poder te dizer que as tuas surras nunca marcou a minha alma e nunca diminuiu o amor , respeito e admiração que eu e meu irmão temos por você.

 PS: relato de Malu...que acordou com saudades da mãe...
 E eu pergunto porque algumas surras revoltam e deixam sequelas e outras não?..creio que o amor de quem pune deve fazer a diferença...Sou totalmente contra qlq tipo de agressão...mas o relato de malu me sensibilizou.



livefyre